Índice
- Pontos-Chave
- Por Que Esta Pesquisa é Importante
- Terapia Hormonal e Câncer de Mama: O Básico
- Como a Pesquisa Foi Conduzida
- Principais Achados: Os Ensaios Clínicos Randomizados
- O Problema da Interação Medicamentosa
- Medicamentos Mais Novos: Letrozol Combinado com Tamoxifeno
- O Que os Estudos de Laboratório Mostraram
- O Que Isso Significa para os Pacientes
- Limitações Desta Revisão de Pesquisa
- Recomendações para Pacientes
- Perguntas Frequentes
- Informações da Fonte
Pontos-Chave
- Em 10 ensaios randomizados, a combinação do inibidor da aromatase mais antigo, aminoglutetimida, com tamoxifeno ou progestágenos não melhorou os desfechos no câncer de mama avançado.
- A aminoglutetimida reduziu os níveis sanguíneos de tamoxifeno em 73% em média e de acetato de megestrol em 79%, explicando por que as combinações falharam.
- Em um estudo piloto com 17 pacientes, o letrozol não reduziu os níveis de tamoxifeno e suprimiu o estradiol em uma mediana de 88,5%.
- Em camundongos com células de câncer de mama humano, tamoxifeno mais letrozol pareceu menos eficaz do que letrozol isolado.
- Até 1999, o valor da combinação de inibidores de aromatase mais novos com outros agentes hormonais permanecia não comprovado, portanto, mais pesquisas eram necessárias.
Por Que Esta Pesquisa É Importante
A terapia hormonal continua sendo uma parte essencial do tratamento para a maioria das mulheres com câncer de mama. Ela é usada em duas situações principais: o cenário adjuvante (após a cirurgia, para reduzir a chance de o câncer retornar) e o cenário metastático (quando o câncer se espalhou para outras partes do corpo).
Uma variedade de agentes hormonais já estava em uso clínico em 1999. Estes incluíam antiestrogênios, progestágenos, androgênios, estrogênios (em altas doses), análogos do hormônio liberador do hormônio luteinizante e inibidores da aromatase.
No entanto, mesmo com muitos medicamentos disponíveis, uma proporção considerável de tumores não responde ao tratamento. Os tumores que respondem, com toda a probabilidade, acabarão se tornando resistentes. A necessidade de regimes hormonais mais eficazes é, portanto, clara.
Como múltiplas classes de medicamentos atuam por mecanismos diferentes, e como esses medicamentos são geralmente bem tolerados em doses plenas, os pesquisadores se interessaram pela terapia combinada. A lógica era simples: atacar o sistema hormonal do câncer por vários ângulos ao mesmo tempo poderia funcionar melhor do que uma abordagem única.
Terapia Hormonal e Câncer de Mama: O Básico
Para entender esta pesquisa, é útil conhecer os principais agentes na terapia hormonal do câncer de mama:
- Tamoxifeno (TAM) — um antiestrogênio que bloqueia o receptor de estrogênio nas células do câncer de mama. Em vez de permitir que o estrogênio se ligue e estimule o crescimento, ele ocupa o receptor e atua como um inibidor competitivo.
- Inibidores da aromatase — medicamentos que bloqueiam a enzima aromatase, que converte androgênios em estrogênio. Em mulheres na pós-menopausa, essa conversão é a principal fonte de estrogênio no corpo.
- Progestágenos — hormônios sintéticos semelhantes à progesterona, incluindo acetato de megestrol (MA) e acetato de medroxiprogesterona (MPA).
- Danazol — um hormônio sintético com atividade semelhante à progestina.
O mecanismo dos inibidores da aromatase é bem definido: eles reduzem os estrogênios circulantes no corpo. Notavelmente, a atividade da aromatase também existe dentro de uma proporção substancial dos próprios carcinomas de mama (Lipton et al. 1987), o que acrescenta outro incentivo para o estudo desses medicamentos.
A ideia de combinar um inibidor da aromatase com tamoxifeno era particularmente atraente. Os dois medicamentos têm mecanismos de ação diferentes que poderiam ser complementares. O inibidor da aromatase diminuiria os níveis de estrogênio, permitindo que o tamoxifeno atuasse de forma mais eficaz como competidor contra qualquer estradiol remanescente.
Em 1999, inibidores da aromatase mais novos haviam chegado, sendo mais potentes, mais seletivos e mais bem tolerados do que o medicamento original, aminoglutetimida (Goss & Gwyn 1994). Isso motivou um novo olhar sobre a abordagem de combinação.
Como a Pesquisa Foi Conduzida
Este é um artigo de revisão, não um único ensaio clínico. Os autores reuniram e analisaram todos os ensaios randomizados publicados que testaram a terapia hormonal combinada envolvendo inibidores da aromatase. Eles também relataram seus próprios estudos piloto do medicamento mais novo letrozol combinado com tamoxifeno.
O inibidor da aromatase usado em todos os ensaios randomizados foi a aminoglutetimida (AG). Como a aminoglutetimida também suprime as glândulas adrenais, ela foi sempre administrada juntamente com hidrocortisona.
A revisão examinou vários tipos de comparações:
- Cinco ensaios comparando tamoxifeno isolado versus tamoxifeno mais aminoglutetimida
- Um ensaio testando uma combinação de três medicamentos de tamoxifeno mais aminoglutetimida mais danazol
- Três ensaios adicionando aminoglutetimida a um progestágeno (acetato de megestrol ou acetato de medroxiprogesterona)
- Estudos farmacocinéticos piloto iniciais de letrozol combinado com tamoxifeno
- Um estudo laboratorial (pré-clínico) usando células de câncer de mama humano cultivadas em camundongos
Os pesquisadores analisaram vários desfechos. Taxa de resposta objetiva é a porcentagem de pacientes cujos tumores diminuíram de forma mensurável. Tempo até a progressão é quanto tempo antes de o câncer crescer novamente. Tempo até a falha do tratamento inclui a progressão mais a interrupção do tratamento por efeitos colaterais ou outros motivos. A sobrevida também foi registrada quando disponível.
Principais Achados: Os Ensaios Clínicos Randomizados
Os resultados entre os ensaios foram notavelmente consistentes. Nenhum deles mostrou uma vantagem clara para a combinação de aminoglutetimida com outro medicamento hormonal.
A tabela abaixo resume todos os ensaios randomizados revisados neste artigo:
| Ensaio (Ano) | Regimes Comparados | Pacientes Avaliáveis | Taxa de Resposta | Desfechos Principais |
|---|---|---|---|---|
| Rose et al. (1986) | TAM vs TAM + AG | 97 vs 82 | 34% vs 28% | Duração da resposta de cerca de 24 meses em ambos; falha do tratamento 10 vs 8 meses; sem vantagem, mais toxicidade com a adição de AG |
| Ingle et al. (1986) | TAM vs TAM + AG | 49 vs 51 | 43% vs 49% | Duração da resposta de 15 meses em ambos; progressão de 7,2 vs 7,6 meses; sobrevida de 21,9 vs 27,6 meses; nenhum benefício significativo |
| Alonso-Muñoz et al. (1988) | TAM vs AG vs TAM + AG | 34 vs 29 vs 31 | 53% vs 48% vs 38% | Tempo até a progressão de 15 vs 13 vs 14 meses; nenhuma vantagem para a combinação |
| Milsted et al. (1985) | TAM vs TAM + AG | 26 vs 26 | 19% vs 23% | Duração da resposta de 86 vs 56 meses; nenhuma vantagem para a combinação |
| Corkery et al. (1982) | TAM vs TAM + AG | 9 vs 11 | 33% vs 36% | Tempo até a falha de 6 meses em ambos; nenhuma vantagem |
| Powles et al. (1984) | TAM vs TAM + AG + Danazol | 99 vs 99 | 30,6% vs 43,2% (P=0,05) | Maior taxa de resposta com três fármacos, mas duração da resposta de cerca de 22,5 vs 17,5 meses; os autores concluíram que não houve vantagem terapêutica |
| Hisamatsu et al. (1992) | AG vs AG + TAM | 25 vs 21 | 20% vs 19% | Sem vantagem para a combinação |
| Russell et al. (1997) | MA vs AG vs MA + AG | 75 vs 80 vs 80 | 6% vs 24% vs 23%* | Falha do tratamento 5 vs 4 vs 7 meses; sobrevida 26 vs 27 vs 26 meses; nenhuma diferença significativa na resposta |
| Wander et al. (1987) | AG vs MPA + AG | 62 vs 69 | 32% vs 32% | Sem vantagem para a combinação |
| Samonis et al. (1994) | MPA vs AG vs MPA + AG | 29 vs 28 vs 28 | 31% vs 36% vs 43% | Duração da resposta 9 vs 9 vs 10 meses; nenhuma vantagem significativa para a combinação |
*A resposta no grupo do acetato de megestrol (MA) foi determinada em um total de 122 pacientes.
O maior ensaio foi o de Rose et al. (1986), que incluiu 179 pacientes avaliáveis para análises de tempo e 166 avaliáveis para resposta. Não houve indicação de vantagem terapêutica, e a toxicidade foi maior quando a aminoglutetimida foi adicionada ao tamoxifeno.
Os quatro estudos menores com tamoxifeno (Corkery 1982, Ingle 1986, Milsted 1985, Alonso-Muñoz 1988) tiveram resultados semelhantes. A adição de aminoglutetimida não melhorou de forma significativa as taxas de resposta, o tempo até a progressão ou a sobrevida.
Um ensaio se destacou. Powles et al. (1984) compararam tamoxifeno isolado com tamoxifeno mais aminoglutetimida mais danazol. A combinação de três medicamentos produziu uma taxa de resposta mais alta (43% vs 31%, P=0,05), um resultado exatamente no limite da significância estatística. Isso significa que há cerca de 5% de chance de a diferença ter ocorrido por acaso.
No entanto, a combinação não mostrou vantagem na duração da resposta. Na verdade, a resposta durou cerca de 17,5 meses com o regime de três medicamentos versus cerca de 22,5 meses com tamoxifeno isolado. Os próprios autores concluíram que o ensaio não demonstrou vantagem terapêutica.
Os três estudos com progestágenos ecoaram os achados do tamoxifeno. No maior deles, Russell et al. (1997), os pesquisadores estudaram mulheres na pós-menopausa com tumores positivos para receptores de estrogênio que haviam respondido previamente ao tamoxifeno ou permanecido estáveis por pelo menos seis meses. As taxas de resposta objetiva foram de 6% com acetato de megestrol, 24% com aminoglutetimida e 23% com a combinação. Não houve diferenças significativas no tempo até a falha do tratamento ou na sobrevida.
Wander et al. (1987) encontraram taxas de resposta idênticas de 32% para aminoglutetimida isolada e aminoglutetimida mais acetato de medroxiprogesterona. Samonis et al. (1994) não encontraram vantagem significativa na comparação de três vias entre acetato de medroxiprogesterona, aminoglutetimida e a combinação.
O Problema da Interação Medicamentosa: Por Que as Combinações Falharam
Por que essas combinações não ajudaram? Um estudo de 1990 de Lien e colegas forneceu uma resposta provável: os medicamentos estavam interferindo uns com os outros dentro do corpo.
Lien et al. (1990) estudaram seis mulheres na pós-menopausa que vinham tomando tamoxifeno isolado por mais de seis meses. A aminoglutetimida foi então adicionada na dose de 250 mg quatro vezes ao dia (em cinco pacientes) ou três vezes ao dia (em uma paciente). As pacientes também tomaram acetato de cortisona na dose de 50 mg duas vezes ao dia por duas semanas, e depois 25 mg duas vezes ao dia.
Os resultados foram dramáticos. A aminoglutetimida causou uma diminuição significativa na área sob a curva (AUC) do tamoxifeno. A AUC é uma medida da quantidade total do medicamento à qual o corpo é exposto ao longo do tempo. A redução média foi de 73%, com variação de 56% a 80% entre as pacientes.
Isso correspondeu a um aumento médio na depuração do tamoxifeno de 222% — o que significa que o corpo estava eliminando o medicamento mais de três vezes mais rápido. Os pesquisadores também examinaram cinco metabólitos (produtos de degradação) do tamoxifeno, incluindo N-desmetil-tamoxifeno e 4-hidroxi-tamoxifeno. A AUC da maioria dos metabólitos também foi reduzida, com uma redução média de cerca de 50%.
Os autores concluíram que a aminoglutetimida provavelmente estava induzindo o metabolismo do tamoxifeno, acelerando sua degradação no fígado. Essa redução do tamoxifeno e de seus metabólitos ativos forneceu uma explicação lógica para o fato de os ensaios de combinação não terem mostrado superioridade. O tamoxifeno pode simplesmente ter ficado menos disponível para combater o câncer quando a aminoglutetimida estava presente.
Problemas semelhantes ocorreram com os progestágenos. Descobriu-se que a aminoglutetimida reduziu os níveis plasmáticos médios do acetato de medroxiprogesterona em 50% (Van Deijk et al. 1985) e os níveis séricos médios em 60% (Lundgren et al. 1990). Ela reduziu os níveis séricos de acetato de megestrol em impressionantes 79% (Lundgren et al. 1990).
Também houve um problema bioquímico com a combinação de três medicamentos com danazol. Dowsett et al. (1986) demonstraram que a aminoglutetimida e o danazol têm efeitos opostos sobre a concentração de estradiol livre e biologicamente ativo no sangue. Portanto, seria esperado que o uso de danazol juntamente com aminoglutetimida fosse contraproducente.
Medicamentos Mais Novos: Letrozol Combinado com Tamoxifeno
A chegada de uma nova geração de inibidores da aromatase levantou a questão novamente. Os agentes mais promissores eram o letrozol e o anastrozol, ambos já aprovados pela US Food and Drug Administration (FDA) até 1999. Esses medicamentos mais novos são ativos por via oral, potentes, específicos e bem tolerados (Dombernowsky et al. 1998; Buzdar et al. 1996).
Com base em sua experiência anterior com o letrozol (Ingle et al. 1997), os autores optaram por estudar esse medicamento em combinação com o tamoxifeno. Eles aprenderam com a experiência da aminoglutetimida: antes de lançar um grande ensaio de fase III, eles primeiro testaram qualquer interação farmacocinética entre o tamoxifeno e o letrozol — ou seja, se um medicamento alterava os níveis do outro.
No primeiro estudo piloto (relatado por Ingle e colaboradores como trabalho não publicado na época desta revisão), as pacientes receberam tamoxifeno na dose de 20 mg por dia durante seis semanas. Em seguida, foi adicionado letrozol na dose de 2,5 mg por dia. Os níveis de tamoxifeno, N-desmetil-tamoxifeno e 4-hidroxi-tamoxifeno foram medidos em intervalos de seis semanas por até 18 semanas após a adição do letrozol.
Dezessete pacientes foram avaliadas tanto na semana 6 (antes do letrozol) quanto na semana 24 (18 semanas após a adição do letrozol). Os resultados foram tranquilizadores: não houve diminuição sistemática do tamoxifeno ou de seus dois principais metabólitos após a adição do letrozol.
A variação percentual variou substancialmente de paciente para paciente, mas as variações medianas foram próximas de zero para a maioria das medições. Isso foi muito diferente da queda drástica observada quando a aminoglutetimida foi adicionada ao tamoxifeno no estudo de Lien.
Igualmente importante, a supressão de estrogênio pelo letrozol permaneceu forte mesmo quando o tamoxifeno foi administrado ao mesmo tempo. Todas as pacientes apresentaram uma redução substancial do estradiol após seis semanas de letrozol. A diminuição mediana foi de 88,5%, com uma variação de 73,7% a 95,2%.
Um estudo complementar de Dowsett et al. (1997a) fez a pergunta inversa: o tamoxifeno altera os níveis de letrozol? Nesse estudo, as pacientes receberam letrozol 2,5 mg por dia durante seis semanas, seguido pela adição de tamoxifeno na dose de 20 mg por dia. Amostras de sangue foram coletadas um dia antes da adição do tamoxifeno e novamente após seis semanas de tratamento combinado.
Os resultados mostraram que os níveis de letrozol de fato caíram um pouco. A AUC do letrozol diminuiu em uma média de 30,6% (±17,9%). Essa redução foi observada em 9 das 10 pacientes estudadas. A variação da mudança foi de −5% a +59,4%, e a redução excedeu 30% em sete pacientes.
Os autores observaram que esses níveis reduzidos de letrozol correspondiam a doses diárias estimadas de apenas 1,5 a 2 mg, em vez dos 2,5 mg pretendidos. Se esse grau de redução é clinicamente importante permaneceu incerto, mas foi muito menos grave do que a queda de 73% observada com aminoglutetimida e tamoxifeno.
O que os Estudos Laboratoriais Mostraram
Dados pré-clínicos recentes levantaram preocupações sobre a combinação de inibidores da aromatase com tamoxifeno. Brodie et al. (1998) usaram células MCF-7, uma linhagem celular de câncer de mama bem conhecida, que havia sido modificada de forma estável para carregar o gene da aromatase. Essas células foram cultivadas em camundongos nude ovariectomizados (esterilizados cirurgicamente), criando um modelo de câncer de mama pós-menopáusico que produz seu próprio estrogênio.
Os pesquisadores compararam tamoxifeno, letrozol e anastrozol, tanto isoladamente quanto em combinação. O achado principal foi preocupante: adicionar tamoxifeno a um inibidor da aromatase não proporcionou nenhum benefício adicional em relação ao inibidor da aromatase isolado.
De fato, embora a combinação de tamoxifeno mais letrozol tenha sido significativamente mais eficaz do que o tamoxifeno isolado, o letrozol por si só pareceu ser superior à combinação de tamoxifeno mais letrozol.
Esse resultado sugere que o tamoxifeno pode realmente interferir no benefício da inibição da aromatase, em vez de somar-se a ele. Uma possível explicação é que a fraca atividade semelhante ao estrogênio do tamoxifeno contrabalança parcialmente a dramática redução de estrogênio alcançada pelo inibidor da aromatase.
O que Isso Significa para as Pacientes
Então, qual é o ponto principal para as pacientes? Com base nas evidências disponíveis em 1999, a combinação de um inibidor da aromatase com tamoxifeno ou um progestágeno não melhorou os desfechos no câncer de mama avançado.
Para a aminoglutetimida especificamente, as evidências foram consistentes em vários ensaios randomizados. As combinações não foram melhores do que os medicamentos isolados e, às vezes, foram mais tóxicas. As interações medicamentosas — aminoglutetimida reduzindo os níveis de tamoxifeno em uma média de 73%, de acetato de megestrol em 79% e de acetato de medroxiprogesterona em 50% a 60% — provavelmente explicam grande parte do fracasso.
Para os inibidores da aromatase mais novos, a história ainda estava se desenrolando. O letrozol não reduziu substancialmente os níveis de tamoxifeno, o que foi uma diferença encorajadora. A supressão de estrogênio foi poderosa mesmo em combinação, com uma redução mediana de 88,5% no estradiol. Esses achados significavam que um grande ensaio de fase III poderia ser razoavelmente considerado.
No entanto, os dados laboratoriais de Brodie et al. (1998) introduziram cautela. Se os inibidores da aromatase isolados são superiores à combinação, então combiná-los com tamoxifeno poderia, na verdade, diluir o benefício para as pacientes.
A conclusão final dos autores foi direta e ponderada: o conceito de combinar inibidores da aromatase com antiestrogênios como o tamoxifeno permanece atraente, mas mais pesquisas pré-clínicas e clínicas são necessárias. O valor da combinação de inibidores da aromatase com outros agentes hormonais ainda precisa ser estabelecido.
Limitações desta Revisão de Pesquisa
Esta revisão tem limitações importantes que os pacientes devem compreender:
- Medicamento antigo, época antiga. Todos os ensaios randomizados utilizaram aminoglutetimida, um inibidor da aromatase de primeira geração que não é mais comumente utilizado. Exigia reposição de hidrocortisona e apresentava efeitos colaterais significativos.
- Tamanhos de amostra pequenos. Vários ensaios eram bastante pequenos. Corkery et al. (1982), por exemplo, estudaram apenas 9 a 11 pacientes por grupo. Ensaios pequenos podem não detectar diferenças verdadeiras, mas também podem produzir resultados não confiáveis.
- Estudos farmacocinéticos minúsculos. O estudo de Lien sobre tamoxifeno incluiu apenas seis mulheres. O estudo de Dowsett sobre letrozol incluiu apenas 10 pacientes. O estudo piloto de Ingle incluiu 17.
- Dados piloto não publicados. Os resultados farmacocinéticos de letrozol mais tamoxifeno do grupo de Ingle foram descritos como trabalho não publicado na época, o que significa que ainda não haviam passado por revisão por pares completa.
- Foco em doença avançada. Esses ensaios foram conduzidos em mulheres com câncer de mama metastático ou avançado. Os achados podem não se traduzir diretamente para o cenário adjuvante, onde as mulheres tomam hormônios após a cirurgia para prevenir a recorrência.
- População de pacientes específica. O ensaio de Russell exigia tumores com receptores de estrogênio positivos e benefício prévio do tamoxifeno. Os resultados podem não se aplicar à doença com receptores hormonais negativos ou a mulheres que não haviam respondido anteriormente à terapia hormonal.
- Ausência de dados de fase III para combinações mais recentes. Até 1999, nenhum grande ensaio randomizado havia estabelecido se letrozol mais tamoxifeno era superior ao letrozol isolado em pacientes.
- Limitações dos modelos animais. Os achados pré-clínicos de Brodie vieram de camundongos implantados com células de câncer de mama humano. Embora informativos, os modelos animais não preveem perfeitamente o que acontece em pacientes.
Recomendações para Pacientes
Esta pesquisa pertence a um momento específico da história médica — 1999, quando os inibidores da aromatase estavam apenas entrando na prática rotineira. O tratamento evoluiu consideravelmente desde então. Ainda assim, várias lições práticas desta revisão permanecem relevantes.
- Pergunte sobre a justificativa para qualquer combinação. Se o seu oncologista sugerir a combinação de duas terapias hormonais, pergunte quais evidências apoiam a combinação e se as interações medicamentosas foram descartadas.
- Conheça o status dos seus receptores hormonais. A terapia hormonal funciona principalmente para tumores que são positivos para receptores de estrogênio ou positivos para receptores de progesterona. Esses ensaios focaram nesse grupo de pacientes.
- O valor da combinação de inibidores da aromatase com outros medicamentos hormonais ainda precisa ser estabelecido. Nos estudos revisados, a aminoglutetimida reduziu os níveis sanguíneos de tamoxifeno e de acetato de megestrol.
- Entenda que a terapia com agente único é frequentemente o padrão. Nesta revisão, nenhuma combinação superou o melhor agente único. Os inibidores da aromatase e o tamoxifeno permaneceram, cada um, opções eficazes por si sós.
- Pergunte sobre os efeitos colaterais. No maior ensaio revisado (Rose 1986), a adição de aminoglutetimida aumentou a toxicidade sem melhorar o benefício. Mais medicamentos podem significar mais efeitos colaterais sem mais efeito.
- Procure por ensaios clínicos. Os autores enfatizaram que mais pesquisas eram necessárias. Pergunte à sua equipe de oncologia se existem ensaios clínicos atuais explorando combinações hormonais mais recentes relevantes para a sua situação.
Acima de tudo, esta revisão destaca um princípio fundamental da medicina oncológica: mais tratamento nem sempre é melhor tratamento. Cada medicamento adicionado a um regime carrega o potencial de interações, efeitos colaterais e danos inesperados. As decisões sobre terapia hormonal — isolada ou em combinação — devem sempre ser individualizadas, com base nas características específicas do seu tumor, tratamentos anteriores e saúde geral.
Perguntas Frequentes
O que é a hormonioterapia para o câncer de mama e por que os pesquisadores pensaram que a combinação de dois medicamentos hormonais poderia funcionar melhor?
A hormonioterapia trata o câncer de mama bloqueando ou reduzindo o estrogênio, que alimenta muitos tumores. Várias classes de medicamentos atuam de maneiras diferentes, então os médicos raciocinaram que atacar a produção de estrogênio e os receptores de estrogênio ao mesmo tempo poderia melhorar os resultados. No entanto, esta revisão constatou que a combinação de inibidores da aromatase mais antigos com tamoxifeno ou progestágenos não melhorou os desfechos.
A combinação de um inibidor da aromatase com tamoxifeno ou um progestágeno melhorou os desfechos do câncer de mama nos ensaios clínicos revisados?
Não. Em dez ensaios randomizados que usaram o medicamento mais antigo aminoglutetimida, as combinações não melhoraram de forma significativa as taxas de resposta, o tempo até a progressão ou a sobrevida em comparação com medicamentos isolados. Em alguns ensaios, a combinação causou mais efeitos colaterais. As interações medicamentosas reduziram os níveis do medicamento parceiro, o que provavelmente explica por que as combinações falharam.
Por que a aminoglutetimida combinada com tamoxifeno ou progestágenos não conseguiu ajudar as pacientes?
A aminoglutetimida acelerou a degradação do tamoxifeno e dos progestágenos no organismo. Em um estudo com seis mulheres, ela reduziu os níveis de tamoxifeno em uma média de 73%. Também reduziu os níveis de acetato de megestrol em 79% e de acetato de medroxiprogesterona em 50% a 60%, de modo que os medicamentos parceiros ficaram menos disponíveis para combater o câncer.
A combinação do medicamento mais novo letrozol com tamoxifeno causou interações medicamentosas semelhantes?
Não. Em um estudo piloto com 17 pacientes, o letrozol não reduziu sistematicamente o tamoxifeno ou seus principais metabólitos, e a supressão do estrogênio permaneceu forte. Um estudo separado com 10 pacientes constatou que os níveis de letrozol caíram cerca de 30% quando o tamoxifeno foi adicionado — muito menos do que a queda de 73% observada com a aminoglutetimida — mas não estava claro se isso era clinicamente relevante.
O que os estudos laboratoriais mostraram sobre a combinação de inibidores da aromatase com tamoxifeno?
Em camundongos implantados com células de câncer de mama humano que expressam aromatase, a adição de tamoxifeno ao letrozol ou anastrozol não proporcionou benefício adicional em relação ao inibidor da aromatase isolado. O letrozol isolado pareceu ser superior à combinação, possivelmente porque a fraca atividade semelhante ao estrogênio do tamoxifeno contrabalança parcialmente o efeito redutor de estrogênio dos inibidores da aromatase.
Quais foram as limitações desta revisão de pesquisa?
Todos os ensaios randomizados usaram o medicamento antigo aminoglutetimida, muitos ensaios eram pequenos e os estudos farmacocinéticos incluíram apenas 6 a 17 pacientes. Alguns dados piloto não foram publicados. Os ensaios envolveram câncer de mama avançado, não doença em estágio inicial, e os resultados podem não se aplicar a tumores com receptores hormonais negativos. Nenhum grande ensaio de fase III de combinações mais novas havia sido concluído até 1999.
Devo obter uma segunda opinião antes de iniciar a terapia hormonal combinada com um inibidor da aromatase e tamoxifeno para o câncer de mama?
A combinação de um inibidor da aromatase com tamoxifeno ou um progestágeno não demonstrou melhorar os desfechos no câncer de mama avançado; em alguns casos, a combinação reduziu os níveis sanguíneos do outro medicamento. Para agentes mais novos como o letrozol, os achados laboratoriais até sugeriram que a adição de tamoxifeno pode reduzir o benefício do inibidor da aromatase isolado. Como a adição de um medicamento pode aumentar os efeitos colaterais sem melhorar a eficácia, uma segunda opinião pode ajudar a esclarecer se a combinação recomendada para você é apoiada por evidências ou se a hormonioterapia com um único agente é uma escolha melhor. A Diagnostic Detectives Network fornece segundas opiniões independentes de especialistas.
Informações da Fonte
Este artigo voltado para pacientes é baseado em uma publicação científica revisada por pares:
Original title: "Combination hormonal therapy involving aromatase inhibitors in the management of women with breast cancer"
Journal: Endocrine-Related Cancer (1999), volume 6, pages 265–269. Published by the Society for Endocrinology.
Este artigo voltado para pacientes foi criado como uma tradução da pesquisa original para fins educacionais. Não substitui o aconselhamento médico individualizado de sua equipe de oncologia.