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Compreendendo a Supressão de Estrogênio no Câncer de Mama na Pré-Menopausa: O Que o Estudo SOFT-EST Revela Sobre Triptorrelina Mais Exemestano ou Tamoxifeno

19 min
Original medical illustration for: Understanding Estrogen Suppression in Premenopausal Breast Cancer: What the SOFT-EST Study Reveals About Triptorelin Plus Exemestane or Tamoxifen

Índice

Pontos-Chave

  • Em um estudo de 12 meses com 116 mulheres na pré-menopausa, triptorrelina mais exemestano ou tamoxifeno produziu supressão profunda de estrogênio na maioria das pacientes.
  • Em cada momento avaliado, 17–25% das pacientes recebendo exemestano mais triptorrelina apresentaram estradiol acima de 2,72 pg/mL; 34% tiveram uma elevação pelo menos uma vez.
  • Mulheres com menos de 35 anos, aquelas com IMC mais alto e aquelas sem quimioterapia prévia foram mais propensas a ter supressão ovariana incompleta.
  • A mediana de estradiol no grupo exemestano mais triptorrelina foi de 0,625 pg/mL, menor do que os níveis típicos da pós-menopausa com inibidores da aromatase.
  • O estudo mediu apenas os níveis hormonais, não os desfechos do câncer, portanto a relevância clínica das elevações transitórias do estradiol permanece incerta.

Contexto: Por que a supressão da função ovariana é importante

Há mais de um século, os médicos utilizam a supressão da função ovariana (SFO) como estratégia de tratamento para mulheres na pré-menopausa com câncer de mama responsivo a hormônios (com receptores hormonais positivos). Os ovários produzem estrogênio, que pode estimular o crescimento de tumores de mama sensíveis a hormônios. Ao suprimir a função ovariana, os médicos buscam eliminar essa fonte de estímulo.

A supressão ovariana pode ser alcançada de três maneiras principais: remoção cirúrgica dos ovários (ooforectomia), radioterapia nos ovários ou medicamentos chamados agonistas do GnRH, como a triptorrelina. Na década de 1990, estudos de fase III relataram eficácia semelhante entre a ablação ovariana e o tratamento com agonistas do GnRH. Estudos que testaram agonistas do GnRH isoladamente, ou em combinação com tamoxifeno ou inibidores da aromatase (IAs), demonstraram atividade clínica com supressão eficaz do estrogênio na maioria das pacientes.

No entanto, os pesquisadores observaram que algumas pacientes tratadas com agonistas do GnRH podem apresentar supressão ovariana incompleta — ou seja, seus níveis de estrogênio não caem tanto quanto o esperado. Isso é particularmente preocupante quando o agonista do GnRH é combinado com um inibidor da aromatase como o exemestano, pois os IAs funcionam de forma menos eficaz — e podem até ser estimuladores — quando permanece função ovariana residual.

O estudo Suppression of Ovarian Function Trial (SOFT) e o estudo Tamoxifen and Exemestane Trial (TEXT) foram grandes estudos adjuvantes internacionais que demonstraram benefício significativo na sobrevida livre de doença para exemestano mais SFO em comparação com tamoxifeno mais SFO. Aproximadamente 95% das pacientes nesses estudos utilizaram agonistas do GnRH como método de SFO. Ainda assim, dados detalhados sobre a eficácia da supressão do estrogênio pelos agonistas do GnRH no cenário adjuvante permaneciam limitados, especialmente para a combinação de agonistas do GnRH com IAs.

A maioria dos relatos anteriores que descreviam os efeitos endócrinos dos agonistas do GnRH — usados isoladamente ou com tamoxifeno ou um IA — apresentava períodos curtos de acompanhamento (3 a 6 meses em média), tamanhos de amostra pequenos ou medição inadequada dos níveis de estradiol (E2). Por isso, os pesquisadores lançaram o SOFT Estrogen Substudy (SOFT-EST), um subestudo prospectivo do estudo SOFT maior, para responder a uma pergunta crítica: Existem pacientes que apresentam supressão subótima do estrogênio durante o tratamento com triptorrelina mais exemestano?

Desenho do estudo e população de pacientes

O estudo SOFT principal incluiu 3.066 mulheres na pré-menopausa com câncer de mama inicial. Essas mulheres permaneceram na pré-menopausa após receberem quimioterapia (neo)adjuvante ou eram candidatas ao tamoxifeno adjuvante isolado. Elas foram aleatoriamente designadas para uma de três opções de tratamento de 5 anos:

  • Exemestano mais supressão da função ovariana (SFO)
  • Tamoxifeno mais SFO
  • Tamoxifeno isolado

A SFO foi alcançada pela escolha da paciente entre um de três métodos: acetato de triptorrelina (Decapeptyl Depot, 3,75 mg administrado por via intramuscular a cada 28 ± 3 dias), ooforectomia bilateral (remoção cirúrgica dos ovários) ou irradiação ovariana (radioterapia).

Para o subestudo SOFT-EST especificamente, todas as pacientes incluídas no SOFT em 24 centros selecionados que foram aleatoriamente designadas para tamoxifeno mais SFO ou exemestano mais SFO, e que escolheram a triptorrelina como método de SFO, receberam a oferta de participação. A meta era 120 pacientes: 30 recebendo tamoxifeno mais triptorrelina e 90 recebendo exemestano mais triptorrelina.

De março de 2009 a janeiro de 2011, 123 pacientes foram incluídas (32 no grupo tamoxifeno mais triptorrelina; 91 no grupo exemestano mais triptorrelina). Destas, 116 pacientes efetivamente iniciaram a triptorrelina e tiveram pelo menos uma amostra de sangue analisada, formando a coorte analítica. Isso incluiu:

  • 30 pacientes recebendo tamoxifeno mais triptorrelina
  • 86 pacientes recebendo exemestano mais triptorrelina

A mediana de idade na randomização foi de 44 anos (intervalo interquartil, 41–48 anos). Sessenta e quatro pacientes (55,2%) haviam recebido quimioterapia prévia. A mediana do nível basal de E2 foi de 50,6 pg/mL, e a mediana do nível basal de sulfato de estrona (E1S) foi de 894 pg/mL.

Uma observação importante: apesar de atenderem à definição de status pré-menopáusico do protocolo, 35% das pacientes apresentavam níveis basais de E2 consistentes com pós-menopausa (≤20 pg/mL) quando medidos pelo ensaio de alta sensibilidade. Isso foi corroborado por níveis mais elevados de hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) medidos centralmente nessas pacientes. Entre as mulheres do grupo exemestano mais triptorrelina, 56% das que haviam recebido quimioterapia prévia e 8% das que não haviam apresentavam níveis de E2 na entrada do estudo consistentes com status pós-menopáusico.

Como os níveis de estrogênio foram medidos

Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo (antes do início do tratamento) e, em seguida, aos 3, 6, 12, 18, 24, 36 e 48 meses. As amostras foram coletadas com os pacientes em jejum e antes da injeção de triptorrelina. O estudo analisou amostras dos primeiros 12 meses de tratamento para este relatório.

Alíquotas de soro foram armazenadas a −20°C e enviadas a um laboratório central para análise. As dosagens de estrogênio — especificamente estradiol (E2), estrona (E1) e sulfato de estrona (E1S) — foram realizadas por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas em tandem (GC/MS/MS), considerada um ensaio de referência devido à sua alta sensibilidade e especificidade.

Os limites inferiores de quantificação (LIQ) para o ensaio foram:

  • E2: 0,625 pg/mL
  • E1: 1,56 pg/mL
  • E1S: 3,13 pg/mL

Os pesquisadores confirmaram que não houve reatividade cruzada com exemestano em um experimento ad hoc conduzido antes do teste das amostras. Todas as amostras dos primeiros 12 meses foram processadas consecutivamente sem conhecimento da alocação do tratamento, garantindo objetividade.

Os níveis de FSH e LH foram medidos por eletroquimioluminescência usando um analisador automatizado Cobas 6000, com uma faixa de medição de 0,100 a 200 mUI/mL.

O objetivo primário desta análise de 12 meses foi descrever os níveis de E2, E1 e E1S aos 3, 6 e 12 meses, e determinar a proporção de pacientes recebendo exemestano mais triptorrelina que apresentaram níveis de E2 superiores a 2,72 pg/mL (10 pmol/L) — um limiar estrito considerado inconsistente com níveis pós-menopáusicos em uso de IA. Os objetivos secundários incluíram comparar os níveis de estrogênio, FSH e LH entre os grupos de tratamento e explorar as características das pacientes associadas à supressão subótima.

Principais Achados aos 3, 6 e 12 Meses

Após contabilizar amostras ausentes e descontinuações precoces durante o primeiro ano, 79 pacientes tratadas com exemestano mais triptorrelina tiveram pelo menos uma amostra pós-basal disponível para análise, e 27 pacientes tratadas com tamoxifeno mais triptorrelina tiveram o mesmo.

Os resultados mostraram que a supressão de estrogênio foi drástica e consistente no grupo exemestano mais triptorrelina. Para todas as três frações de estrogênio (E2, E1 e E1S), houve uma redução mediana em relação ao valor basal de pelo menos 95% em todos os momentos após o início do tratamento.

Níveis de Estradiol (E2)

Os níveis medianos de E2 no grupo exemestano mais triptorrelina foram de 0,625 pg/mL (o limite inferior de quantificação) em todos os momentos pós-basais. Isso representa uma redução mediana de 96% em relação ao valor basal aos 3, 6 e 12 meses.

Níveis de Estrona (E1)

Os níveis medianos de E1 foram de 1,56 pg/mL (também no limite inferior de quantificação) em todos os momentos pós-basais, refletindo uma redução mediana de 95% em relação ao valor basal.

Níveis de Sulfato de Estrona (E1S)

O sulfato de estrona — a fração de estrogênio mais abundante no plasma — foi reduzido para 11,7 pg/mL aos 3 meses, 14,9 pg/mL aos 6 meses e 10,6 pg/mL aos 12 meses. Esses valores representam reduções medianas de aproximadamente 96–98% em relação ao valor basal.

O Achado Crítico: Algumas Pacientes Apresentaram E2 Acima do Limiar

Apesar da supressão geral impressionante, uma proporção notável de pacientes apresentou níveis de E2 que subiram acima do limiar predefinido do estudo de 2,72 pg/mL:

  • Aos 3 meses: 25% das pacientes apresentaram níveis de E2 superiores a 2,72 pg/mL
  • Aos 6 meses: 24% das pacientes apresentaram níveis de E2 superiores a 2,72 pg/mL
  • Aos 12 meses: 17% das pacientes apresentaram níveis de E2 superiores a 2,72 pg/mL

No geral, 27 de 79 pacientes (34,2%; IC de 95%, 23,9% a 45,7%) que receberam exemestano mais triptorrelina apresentaram pelo menos um valor de E2 pós-basal superior a 2,72 pg/mL durante o primeiro ano de tratamento.

Quando os pesquisadores exploraram limiares menos rigorosos, descobriram que 18% das pacientes apresentaram níveis de E2 superiores a 10 pg/mL e 13% das pacientes apresentaram níveis de E2 superiores a 20 pg/mL pelo menos uma vez durante o período de 12 meses. No entanto, essas elevações mais altas não foram, em sua maioria, persistentes: apenas seis mulheres (8%) apresentaram valores de E2 superiores a 10 pg/mL e apenas uma mulher (1%) apresentou valores de E2 superiores a 20 pg/mL em mais de um momento pós-basal.

Analisando o padrão ao longo do tempo entre as 27 mulheres que tiveram pelo menos uma leitura elevada de E2: 14 pacientes apresentaram E2 acima do limiar em um momento pós-basal, 9 pacientes em dois momentos e 4 pacientes — três das quais tinham menos de 35 anos e três das quais não haviam recebido quimioterapia prévia — apresentaram E2 acima do limiar em todos os três momentos pós-basais. Essas quatro pacientes representam 8% das 48 mulheres que tiveram todas as três amostras pós-basais analisadas.

Curiosamente, duas pacientes do grupo exemestano mais triptorrelina apresentaram sangramento vaginal mais de 3 meses após o início da triptorrelina, mas E2 significativamente elevado (41 pg/mL) foi confirmado centralmente em apenas uma dessas pacientes.

Quem Teve Supressão Subótima de Estrogênio?

Os pesquisadores compararam as características basais entre as 27 pacientes que apresentaram níveis de E2 durante o tratamento acima de 2,72 pg/mL em qualquer momento e as pacientes cujos níveis de E2 permaneceram abaixo do limiar. Eles identificaram vários fatores associados a uma maior probabilidade de supressão subótima:

  • Sem quimioterapia prévia (P = .06)—pacientes que não haviam recebido quimioterapia antes tinham maior probabilidade de apresentar E2 elevado
  • Índice de massa corporal (IMC) mais alto (P = 0,05) — pacientes com IMC mais alto tinham maior chance de supressão subótima
  • Níveis basais de FSH mais baixos (P = 0,002) — pacientes com FSH mais baixo antes do tratamento tinham maior probabilidade de apresentar E2 elevado
  • Níveis basais de LH mais baixos (P = 0,004) — o mesmo padrão foi observado para o LH

Ser virgem de quimioterapia foi notavelmente associado à supressão subótima: 46% das pacientes virgens de quimioterapia apresentaram um nível de E2 acima do limiar pelo menos uma vez, em comparação com uma porcentagem menor entre as pacientes que haviam recebido quimioterapia prévia. Da mesma forma, ter menos de 35 anos foi um fator de risco — quatro das oito mulheres nessa faixa etária (50%) apresentaram níveis elevados de E2 em algum momento.

Exemestano vs. Tamoxifeno: Diferenças nos Níveis Hormonais

O estudo também comparou os níveis hormonais entre os dois grupos de tratamento. As reduções em E2, E1 e E1S foram significativamente maiores no grupo exemestano mais triptorrelina do que no grupo tamoxifeno mais triptorrelina (P < 0,001 para cada momento pós-basal). Isso faz sentido biologicamente: o exemestano atua bloqueando a enzima aromatase que produz estrogênio, enquanto o tamoxifeno atua bloqueando os receptores de estrogênio em vez de reduzir a própria produção de estrogênio.

Os níveis de gonadotrofinas também diferiram entre os grupos. Os valores medianos de FSH foram mais altos no grupo exemestano mais triptorrelina (P < 0,001 em cada momento pós-basal), enquanto os valores de LH foram persistentemente mais baixos (P ≤ 0,01 em cada momento pós-basal) em comparação com o grupo tamoxifeno mais triptorrelina. Ambos os grupos apresentaram reduções acentuadas de FSH e LH após o início do tratamento.

Essas dinâmicas complexas de gonadotrofinas provavelmente resultam de vários fatores que interagem: o efeito supressor direto do agonista do GnRH (triptorrelina), a remoção do feedback normal do estrogênio sobre a produção de gonadotrofinas (uma vez que o FSH é mais sensível do que o LH a esse feedback) e o efeito direto do tamoxifeno sobre a glândula hipófise.

O Que Isso Significa para as Pacientes

O estudo fornece mensagens tanto tranquilizadoras quanto de cautela para as pacientes. Do lado tranquilizador, 66% das pacientes na pré-menopausa tratadas com exemestano mais triptorrelina alcançaram uma redução profunda e persistente nos níveis de E2 durante os primeiros 12 meses de tratamento. Os níveis medianos de E2 alcançados — 0,625 pg/mL — são, na verdade, mais baixos do que aqueles tipicamente relatados em mulheres na pós-menopausa em uso de inibidores da aromatase.

Para contextualizar, os valores médios de E2 medidos por GC/MS/MS em mulheres na pós-menopausa são tipicamente 4,0 a 7,3 pg/mL, e em pacientes na pós-menopausa em uso de letrozol (outro IA), os níveis de E2 foram inferiores a 0,65 pg/mL em todas as amostras. Isso significa que as mulheres do grupo exemestano mais triptorrelina que alcançaram supressão completa atingiram níveis comparáveis aos — ou até menores do que os — observados em mulheres na pós-menopausa em terapia com IA.

No entanto, a mensagem de cautela é igualmente importante: em todos os momentos de avaliação, pelo menos 17% das pacientes apresentaram níveis de E2 acima de 2,72 pg/mL, e 34% tiveram uma elevação pelo menos uma vez durante o ano. Embora as implicações clínicas desses limiares ultrabaixos de E2 ainda sejam incertas, os achados sugerem que algumas pacientes — particularmente aquelas com menos de 35 anos, que não receberam quimioterapia prévia ou que têm IMC mais elevado — podem não alcançar supressão ovariana completa apenas com triptorrelina.

Vale ressaltar que, no cenário pós-menopausa, pequenas diferenças no grau de inibição da aromatase entre diferentes IAs de terceira geração não se traduziram em diferenças clinicamente significativas de eficácia em comparações diretas. Isso sugere que pequenas variações na supressão estrogênica podem não afetar necessariamente os desfechos do tratamento, embora essa ainda seja uma questão em aberto.

Os achados do estudo são consistentes com os resultados do ensaio Hormonal Bone Effects (HOBOE), que randomizou pacientes para triptorrelina mais letrozol ou tamoxifeno e mediu os níveis hormonais no início do estudo e após 6 meses. Assim como o SOFT-EST, o ensaio HOBOE encontrou níveis medianos de E2 mais baixos no grupo IA do que no grupo tamoxifeno, com níveis de LH significativamente mais baixos e níveis de FSH significativamente mais altos no grupo IA.

Limitações do Estudo

As pacientes devem compreender as limitações desta pesquisa ao interpretar os achados:

  • Ausência de dados de desfecho: Este subestudo mediu apenas os níveis hormonais — não foi desenhado para determinar se a supressão estrogênica subótima leva a piores desfechos no câncer de mama. A relação entre níveis de E2 acima do limiar e o risco real de recorrência permanece desconhecida.
  • Relevância clínica incerta do limiar: O limiar de 2,72 pg/mL foi escolhido por representar níveis de E2 inconsistentes com o estado pós-menopausa em uso de IAs. No entanto, a implicação clínica desse limiar ultrabaixo ainda é incerta, e os próprios dados do estudo mostram que as elevações de E2 foram, em sua maioria, não persistentes.
  • Tamanho amostral limitado: O subestudo incluiu 116 pacientes, com apenas 79 no grupo exemestano mais triptorrelina com amostras pós-basais. As análises de subgrupos — como o achado sobre mulheres com menos de 35 anos — envolveram números muito pequenos.
  • Amostras ausentes e descontinuações: Algumas pacientes interromperam a triptorrelina ou não tiveram amostras coletadas durante o primeiro ano, o que poderia introduzir viés.
  • Estado pós-menopausa basal acima do esperado: O fato de 35% das pacientes já apresentarem níveis de E2 na faixa pós-menopausa no início do estudo — apesar de preencherem os critérios de pré-menopausa pelos testes locais — destaca os desafios de avaliar o estado menopausal, especialmente após quimioterapia.
  • Estudo de um único agonista do GnRH: Os resultados se aplicam especificamente à triptorrelina na dose mensal de 3,75 mg e podem não ser generalizáveis para outras preparações ou doses de agonistas do GnRH.

Recomendações para Pacientes

Com base neste estudo, as pacientes e seus médicos podem considerar o seguinte:

  1. Discutir o monitoramento dos níveis de estrogênio: Para pacientes em uso de exemestano mais triptorrelina — particularmente aquelas com menos de 35 anos, IMC mais elevado ou que não receberam quimioterapia prévia — pode valer a pena discutir com seu oncologista se a verificação dos níveis de E2 durante o tratamento é apropriada.
  2. Relatar sintomas prontamente: Sangramento vaginal mais de 3 meses após o início da triptorrelina pode ser um sinal de supressão ovariana incompleta. Neste estudo, uma das duas pacientes que apresentaram esse sintoma tinha um nível elevado de E2 de 41 pg/mL. Qualquer sangramento inesperado deve ser relatado à sua equipe de cuidados.
  3. Entender que elevações transitórias podem não ser alarmantes: A maioria das elevações de E2 neste estudo não foi persistente. Apenas 8% das pacientes tiveram E2 acima de 10 pg/mL e apenas 1% tiveram E2 acima de 20 pg/mL em mais de um momento. Uma única leitura elevada não significa necessariamente que o tratamento está falhando.
  4. Manter um peso saudável: Como o IMC mais elevado foi associado à supressão estrogênica subótima, manter um peso saudável por meio de dieta e exercícios pode favorecer a eficácia do tratamento.
  5. Continuar o tratamento conforme prescrito: Apesar desses achados, o estudo SOFT original demonstrou melhorias significativas na sobrevida livre de doença com exemestano mais supressão da função ovariana em comparação com tamoxifeno mais supressão da função ovariana. A grande maioria das pacientes alcançou supressão estrogênica profunda, e os benefícios clínicos desses tratamentos estão bem estabelecidos.
  6. Perguntar sobre o acompanhamento: O estudo SOFT-EST em andamento continuará avaliando os níveis de estrogênio ao longo de 48 meses de tratamento, o que pode fornecer informações adicionais sobre se as elevações precoces se resolvem ou persistem ao longo do tempo.

Em resumo, este estudo confirma que triptorrelina mais exemestano proporciona supressão profunda de estrogênio para a maioria das pacientes na pré-menopausa com câncer de mama — mas não para todas. Aproximadamente um terço das pacientes apresentou pelo menos uma medida de E2 acima do limiar estrito durante o primeiro ano. Pesquisas futuras que relacionem esses achados hormonais aos desfechos reais das pacientes ajudarão a determinar se um monitoramento mais rigoroso ou estratégias alternativas de supressão são necessários para o subgrupo de pacientes com supressão subótima.

Perguntas Frequentes

O que o estudo SOFT-EST mediu em mulheres na pré-menopausa com câncer de mama com receptores hormonais positivos?

O estudo acompanhou 116 mulheres na pré-menopausa por 12 meses enquanto recebiam injeções de triptorrelina mais exemestano ou tamoxifeno. Os pesquisadores usaram espectrometria de massas altamente sensível para medir os níveis de estrogênio aos 3, 6 e 12 meses. Eles queriam ver quão completamente a triptorrelina suprimia a produção ovariana de estrogênio durante o tratamento adjuvante do câncer de mama.

Qual porcentagem de mulheres em uso de exemestano mais triptorrelina apresentou níveis de estradiol acima do limiar do estudo?

Aos 3 meses, 25% das pacientes apresentaram estradiol acima de 2,72 pg/mL; aos 6 meses, 24%; e aos 12 meses, 17%. No geral, 34,2% das 79 pacientes tiveram pelo menos uma leitura elevada durante o primeiro ano. A maioria das elevações não foi persistente. Apenas 8% apresentaram níveis acima de 10 pg/mL em mais de um momento.

Quais pacientes tinham maior probabilidade de apresentar supressão incompleta de estrogênio com triptorrelina mais exemestano?

Pacientes com menos de 35 anos, que não haviam recebido quimioterapia prévia ou que tinham um índice de massa corporal mais alto tinham maior probabilidade de apresentar níveis de estradiol acima de 2,72 pg/mL. Por exemplo, 50% das mulheres com menos de 35 anos apresentaram níveis elevados em algum momento. Níveis basais mais baixos de FSH e LH também foram associados à supressão subótima.

Como os níveis de estrogênio se compararam entre os grupos de exemestano e tamoxifeno?

Mulheres que receberam exemestano mais triptorrelina apresentaram reduções significativamente maiores de estradiol, estrona e sulfato de estrona do que mulheres que receberam tamoxifeno mais triptorrelina em todos os momentos pós-basais. A mediana de estradiol no grupo do exemestano foi de 0,625 pg/mL, o limite inferior de quantificação. O tamoxifeno bloqueia os receptores de estrogênio em vez de reduzir a produção de estrogênio.

Devo me preocupar se tiver uma única leitura elevada de estradiol durante o tratamento?

O estudo não pode afirmar o que uma única leitura elevada significa, pois os autores descrevem o valor clínico de aumentos isolados de estradiol como incerto. Entre as mulheres que receberam exemestano mais triptorrelina, a maioria dos aumentos não foi persistente: apenas 8% tiveram estradiol acima de 10 pg/mL e apenas 1% tiveram estradiol acima de 20 pg/mL em mais de um momento. A elevação persistente era outra questão: quatro das 48 mulheres que receberam exemestano mais triptorrelina e tiveram as três amostras analisadas no primeiro ano (8%) apresentaram estradiol acima de 2,72 pg/mL nos três momentos, o que os autores afirmam que provavelmente teria um impacto desfavorável no prognóstico dessas pacientes. O estudo mediu os níveis hormonais, não os desfechos do câncer. Sempre discuta os resultados com seu oncologista.

Devo buscar uma segunda opinião sobre meu tratamento de câncer de mama na pré-menopausa se estou tomando triptorrelina mais exemestano e preocupada com a supressão incompleta de estrogênio?

Cerca de uma em cada três mulheres na pré-menopausa que tomam triptorrelina mais exemestano teve pelo menos uma leitura de estradiol acima do limiar estrito durante o primeiro ano, e em cada verificação trimestral pelo menos 17% estavam acima dele. Mulheres com menos de 35 anos, aquelas com IMC mais alto e aquelas que não haviam feito quimioterapia tinham maior probabilidade de apresentar supressão ovariana incompleta. Uma segunda opinião pode ajudá-la a decidir se deve perguntar ao seu oncologista sobre a verificação dos níveis de estradiol durante o tratamento ou se abordagens alternativas de supressão devem ser consideradas. A Diagnostic Detectives Network fornece segundas opiniões independentes de especialistas.

Informações da Fonte

Original Article Title: Estrogen Levels in Premenopausal Women With Hormone Receptor–Positive Breast Cancer Receiving Adjuvant Triptorelin Plus Exemestane or Tamoxifen in the Suppression of Ovarian Function Trial (SOFT)- The SOFT-EST Substudy

Authors: Meritxell Bellet, Kathryn P. Gray, Prudence A. Francis, István Láng, Eva Ciruelos, Ana Lluch, Miguel Angel Climent, Gustavo Catalán, Antoni Avella, Uriel Bohn, Antonio González-Martin, Roser Ferrer, Roberto Catalán, Analía Azaro, Agnita Rajasekaran, Josefa Morales, Josep Vázquez, Gini F. Fleming, Karen N. Price, and Meredith M. Regan

Journal: Journal of Clinical Oncology, Volume 34, Number 14, May 10, 2016, pages 1584–1593. Published online ahead of print on January 4, 2016. DOI: 10.1200/JCO.2015.61.2259

Clinical Trial Registration: NCT00975676

Funding: The SOFT-EST substudy was supported by Pfizer International Oncology, Spain and Portugal Cluster, and the International Breast Cancer Study Group (IBCSG).

Este artigo voltado para pacientes é baseado em pesquisas revisadas por pares. Destina-se a fins educacionais e não deve substituir o aconselhamento médico de sua equipe de oncologia. Sempre discuta quaisquer dúvidas sobre seu tratamento específico de câncer de mama com seu médico.